Quem foi Salum, rei de Israel? Um reinado de trinta dias

Mai 2026
Tempo de estudo | 7 minutos
Atualizado em 07/05/2026

Uma figura esquecida do trono israelita

Poucos personagens da história bíblica deixaram uma marca tão apagada quanto Salum, rei de Israel. Seu reinado durou apenas trinta dias — entre 746 e 745 a.C., segundo a maioria das cronologias históricas — e terminou de forma violenta, assassinado por um conspiradorNa sucessão ao trono. Apesar de sua brevidade extrema, Salum é um exemplo eloquente da turbulência política que caracterizou o reino setentrional de Israel durante o século VIII a.C., uma época em que golpes de Estado, assassinatos políticos e mudanças dinásticas se tornaram praticamente a norma.

Quem foi Salum

Segundo o relato em 2 Reis 15:13-15, Salum (também grafado Shallum em transliterações) era filho de Jabes e ascendeu ao trono de Israel após a morte de Zacarias, filho de Jeroboão II. O texto bíblico o descreve como um conspirador que «feriu a Zacarias diante do povo, e o matou, e ocupou o seu lugar» — ou seja, Salum não era um herdeiro legítimo, mas um usurpador que conquistou o poder através de um assassinato político.

Praticamente nenhuma outra informação biográfica sobre Salum é fornecida pelas fontes bíblicas. Não sabemos seu lugar de nascimento, sua linhagem genealógica exata (além do pai Jabes), sua idade ou qualquer detalhe pessoal. O registro é tão sumário que sugere um personagem de importância política mínima, alguém cuja única ação memorável foi derrotar seu predecessor — e mesmo assim, ser rapidamente derrubado.

O brevíssimo reinado: trinta dias de poder

A narrativa em 2 Reis 15:14-15 informa que Salum reinou por apenas um mês. Durante esse período curtíssimo, ele foi derrotado e morto por Menahém filho de Gadi, outro conspirador. O texto diz: «Menahém filho de Gadi, saindo de Tirsá, chegou a Samaria, e feriu a Salum filho de Jabes em Samaria, e o matou, e reinou em seu lugar».

Esse padrão — assassinato político seguido de usurpação — era já comum no reino de Israel desta época. Zacarias havia sido o último descendente da dinastia de Jeú (que havia reinado durante três séculos), e sua morte marcou o colapso definitivo daquele ramo dinástico. Após Zacarias, o trono tornou-se um prêmio de guerra entre conspiradores militares e políticos, e Salum foi apenas o primeiro de uma série de monarcas de vida curta que se seguiram.

Contexto histórico: o colapso do reino de Israel

Para compreender Salum, é necessário situá-lo no dramático cenário do reino setentrional de Israel durante a primeira metade do século VIII a.C. Após a morte de Jeroboão II (c. 746 a.C.), que havia sido um dos monarcas mais bem-sucedidos de Israel e havia expandido o reino significativamente, a estrutura política da nação entrou em colapso.

O período que se segue imediatamente é chamado pelos historiadores de «era da anarquia» ou «era dos reis sem linhagem». Entre 746 e 722 a.C. — data da queda de Samaria para os assírios — o reino de Israel testemunhou uma sequência vertiginosa de reis, muitos dos quais governaram por apenas alguns meses ou poucos anos antes de serem assassinados ou deposto em golpes palaciais. A instabilidade política parece ter sido acompanhada pela fragmentação social, militar e econômica.

Simultaneamente, a ameaça assíria crescia no horizonte. O império assírio sob Tiglate-Pileser III (que reinou de 745 a 727 a.C.) estava em processo de expansão agressiva e reorganização, incorporando cidades-estado e reinos menores do Levante através de conquista e tributo. Israel, enfraquecido por suas guerras internas, tornou-se uma presa fácil para a máquina militar assíria. A instabilidade política interna — exemplificada pelos golpes que mataram Zacarias e depois Salum — acelerou o colapso do reino e sua subsequente vassalagem aos assírios.

Não há evidência arqueológica direta de Salum encontrada até o momento. Nenhuma inscrição assíria, egípcia ou de outro reino contemporâneo o menciona pelo nome. As únicas menções a ele vêm do registro bíblico. Isso reflete não apenas a brevidade de seu reinado, mas também o fato de que monarcas locais menores frequentemente não eram registrados em anais estrangeiros a menos que representassem uma ameaça significativa ou entrassem em negociações diplomáticas ou militares com potências maiores.

Legado e interpretação histórica

Salum é raramente mencionado em estudos históricos modernos sobre Israel e Judá. Estudiosos que se especializam no Levante do Ferro II o tratam principalmente como um data point ou marcador cronológico na história turbulenta do reino setentrional — uma das várias evidências de que Israel estava politicamente fragmentado e militarmente incapaz de resistir à pressão externa na metade do século VIII a.C.

Sua morte marca o fim da tentativa de manter continuidade dinástica. Nenhuma das subsequentes dinastias de Israel (Menahém, Peca, Ósias) logrou estabelecer linhagens longas ou estáveis. Cada monarca seguinte enfrentava a mesma volatilidade política que havia destruído Salum.

Para os cronologistas bíblicos, a datação de Salum e seu reinado é importante por ser um ponto de ancoragem em cronologias sincronizadas entre Israel, Judá e fontes assírias. As datas apresentadas em 2 Reis — que correlaciona os reinados dos monarcas do norte e do sul — foram comparadas com inscrições assírias e textos cuneiformes que mencionam reis de Israel posteriores (como Menahém e Oséias). Essas comparações permitiram aos historiadores modernos estabelecer uma cronologia aproximada para este período turbulento.

Na tradição judaica posterior, Salum raramente é abordado individualmente, sendo geralmente mencionado como parte da narrativa mais ampla da degradação moral e política do reino do norte antes de seu colapso. Na tradição cristã, ele funciona principalmente como um exemplo biblicamente sancionado da instabilidade do poder político terreno — um tema comum nos relatos de reis.

Notas e Referências

  • Fontes bíblicas primárias: 2 Reis 15:13-15 (relato do reinado e morte de Salum)
  • Período histórico: Idade do Ferro II, c. 746-745 a.C., durante o reinado de Tiglate-Pileser III na Assíria
  • Contexto dinástico: Fim da dinastia de Jeú; início da era de instabilidade política israelita pré-queda de Samaria (746-722 a.C.)
  • Personagens relacionados: Zacarias (seu predecessor), Menahém (seu sucessor e assassino), Jeroboão II (avô de Zacarias)
  • Fontes extrabíblicas: Anais assírios mencionam Menahém e reis posteriores de Israel, mas não Salum especificamente. Estudos cronológicos sincronizam 2 Reis com inscrições cuneiformes do século VIII a.C.
  • Historiografia moderna: Israel Finkelstein e Neil Asher Silberman, The Bible Unearthed (sobre a história arqueológica de Israel); Kenneth Kitchen, On the Reliability of the Old Testament (sincronização cronológica); William Dever, Did God Have a Wife? (sobre o contexto cultural levantino)
  • Observação historiográfica: Salum não possui evidência arqueológica ou extrabíblica direta conhecida. Seu único testemunho é o texto bíblico. Sua importância histórica reside principalmente em ilustrar a instabilidade política do reino de Israel no século VIII a.C.

Perguntas Frequentes

João Andrade
João Andrade
Apaixonado pelas histórias bíblicas e um autodidata nos estudos das civilizações e cultura ocidental. Ele é formado em Análise e Desenvolvimento de Sistemas e utiliza a tecnologia para o Reino de Deus.

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